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Metamorfose de Monstros: Uma criatura foi enjaulada em uma grade de sinônimos variados. Observou aquilo que chamavam de “Seu Mundo” e desaprovou no primeiro instante. Lutou contra a grade, relutou e com tantas feridas optou pela adaptação. Era assim que todos faziam e ela como animal-imitador seguiu apenas o que já era previsível.
Metamorfose de Monstros é uma criança dando os seus primeiros passos e um velho dando seu último suspiro. O subconsciente é a peça chave desta obra e a mente um universo não explorado. Somos seres simples, entretanto, mais complexos que as estrelas. Pode ser que guardemos realmente um Monstro que está adormecido e pode ser também que já tenhamos despertado os Monstros sem ao menos percebê-los. É só julgarmos pelas catástrofes sociais que vêm surgindo desde que o ser humano passou a conquistar o mundo usando de seu vil raciocínio. Depois que adquirimos consciência que estamos em uma constante disputa pela vida e pelo poder os nossos Monstros “Eus” passaram a disseminar aos mais fracos sentidos generalizados, que tendem construir um Mundo para todos, porém, com a visão de poucos. Exemplo disso são as ideologias políticas e religiosas, os meios de comunicação de massa e todas as instituições. No entanto os Monstros que se despertam na sociedade são positivamente necessários para a evolução, até porque na natureza, como já disse Lavoisier, nada se perde tudo se transforma e o casulo é apenas uma fase.
Os conflitos que criei entre duas espécies de seres, é apenas uma pretensiosa forma que encontrei de demonstrar o ser em sua fase de casulo. Pode se encontrar uma persona totalmente desprendida da matéria e outra, pelo contrário, a própria filha do carbono. Os versos igualam os opostos e ao mesmo tempo que ostenta o ser humano também o ridiculariza igualando-o à matéria mais insignificante. As antíteses tornam a obra conflitante, realmente passa-se a crer que existem duas personalidades brigando por um espaço: uma mais humana (o termo “mais humana” significa ” com mais imperfeições”) e outra que acabou de sair do casulo e se assustou com o que viu.
Criação da Capa: Hugo Martins
Publicação: Em breve
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:: Sábado, Junho 30, 2007 ::
Personagem Morte de Neil Gaiman
CAPITULO V
A PRISIONEIRA DO BOSQUE
Primeiro, não existe uma pessoa que é a Morte.
Segundo, a Morte é um cara alto, de rosto ossudo, que parece um monge esquelético,
com foice, ampulheta, cavalo, e se liga em jogar xadrez com escandinavos.
Terceiro, ele não existe.
Morte (O preço da vida) de Neil Gaiman
Era perfeita simetria. Éramos duas metades iguais
Perfeita Simetria - Engenheiros do Hawai
A eternidade é um projeção que nossa mente constrói em cima das histórias mal resolvidas. As pirâmides são eternas? Talvez duradouras. E isso deve-se mais a
matéria que foram construídas do que toda lendária e mística historinha que contam sobre elas. Para a menina aquela cantiga refletia mais os seus medos e indecisões
do que a essência do seu passado. Não gostar de gente? Baboseira! Ela tinha mesmo era medo da matéria escondida em cada ser. Matéria eterna? Talvez! Mas ela
bem sabe que nenhum ser humano está livre da metamorfose.
- Pede para pararem! – implorou a menina
- Só você pode parar isso! – explicou Perséfone
- Mas como? Parece que estou há séculos ouvindo a mesma cantiga.
- Talvez esteja, minha menina! Você que deve escolher o que deseja viver. Passado? Futuro? Mas se desejar, também pode tomar as rédeas e pegar a corda para você.
A menina pulou de cima da rocha e caminhou rumo a cabeça Passado. Perséfone segurou seu braço e aconselhou para que não se precipitasse nas escolhas:
“Toda escolha tem o poder irreversível da transformação.”
A menina continua a caminho da cabeça Passado. Olha-a nos olhos e ordena:
- Vomite Thanatos!
Se aquele instante fosse assistido por pelo menos alguns historiadores, algumas páginas da nossa historia seriam inevitavelmente modificadas. Imaginem a espetacular
cena do Passado vomitando a Morte. O que a menina presenciou? O que ela sentiu? Pensem... De repente seu passado joga fora todo rastro de morte e
consequentemente toda dor causada pela perda. Imaginem ainda o passado do mundo expelindo pela boca todos genocídios, homicídios contados nos livros de
história. É, Perséfone tinha razão, a escolha da menina teve o poder irreversível da transformação. Mas somente quem foi transformado poderia certificar a veracidade daquelas palavras.
- Lisa, você esta bem? - questionou Perséfone preocupada.
Mas a deusa só conseguiu ouvir a gargalhada de duas meninas.
(continua)
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:: Segunda-feira, Junho 25, 2007 ::
foto: Jan Saudek
A PRISIONEIRA DO BOSQUE
IV
A capital de nosso Estado é a mente!
A própria Realidade não passa de uma projeção mental.
Logo devemos sempre tratar de Realidades. E nenhuma delas será totalmente objetiva.
E o desafio será buscar interpretações cada vez mais inusitadas à manifestação do real.
Cap. 24 : Das Utopias e Lutas - Manifesto Potencialista
Duas cabeças, duas sentenças. O tempos estão ali, bem de frente a menina. E ela observa-os com tanto pavor que chega fechar os olhos para pedir: Por favor! Eu quero acordar! Eu quero acordar! Me tirem daqui! Perséfone não se manifesta, prefere deixar a menina vencer o medo por si mesma. Nenhuma palavra e nenhum gesto de proteção ajudaria naquele instante. As cabeças param de duelar. Olham diretamente nos olhos da menina. O vento traz uma poeira amarela que cobre os tempos e entre eles surge a imagem de uma criança pulando corda.
- É a Vida! É a Vida! ¿ grita a menina entusiasmada
- Silêncio, minha menina! ¿ a deusa interrompe seu entusiasmo.
- Mas, eu sei, me disseram! Uma voz me disse que a Vida era uma criança brincando.
- Pode até ser, minha menina. Mas esta criança aí, está longe de ser a Vida. O nome dela é Thanatos.
- Mas, Thanatos não é a Morte?
- É sim! E toda vez que ela pula aquela corda seu tempo é subtraído.
- Meu tempo? Como assim? E aqueles tempos?
- São todos seus: seu passado e seu futuro. Mas a corda, minha menina, é seu presente.
A Cabeça-passado abre sua imensa boca e engole a criança pulando corda. Uma cantiga preenche os arredores daquele lado do bosque:
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-sem-dente.
Sem-dente, sem-dente,
Medo ela tinha de gente-sem-dente
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-sem-braço.
Sem-braço, sem-braço,
Medo ela tinha de gente-sem-braço
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-sem-olho.
Sem-olho, sem-olho
Medo ela tinha de gente-sem-olho
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-com-dente.
Com-dente, com-dente,
Medo ela tinha de gente-com-dente
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-com-braço.
Com-braço, com-braço,
Medo ela tinha de gente-com-braço
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente-com-olho.
Com-olho, com-olho
Medo ela tinha de gente-com-olho
Era uma vez uma menina que tinha medo de gente.
De gente, de gente
Medo ela tinha de gente.
(continua)
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:: Quinta-feira, Junho 21, 2007 ::
Queridos leitores do Monstro (Mundo Abstrato) o meu outro blogger Retorno ao Quarto Poder (Mundo Concreto) está com a cara nova e nome novo "Metamorfose Coletiva" quem quiser visita-lo acesse: Metamorfose Coletiva Os antigos arquivos foram mantidos. Um abraço
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:: Quarta-feira, Junho 20, 2007 ::
A PRISIONEIRA DO BOSQUE
Parte III
MetamorfosisVictor Cauduro Rojas
- Então deseja permanecer aqui em meu Bosque? - questionou a deusa.
- Não quero permanecer, quero apenas encontrar algo.
- Se encontrar o que procura, estará pronta para ir embora?
- Só irei saber depois que encontrar.
- Não seria mais fácil encontrar esse algo em outro lugar? O mundo é grande, cheio de surpresas e meu mundo pode lhe causar traumas incuráveis.
- Eu gosto daqui. O engano que o mundo lá fora me proporcionou que é incurável.
- Você já se enganou aqui! Alias, não faz muito tempo. - ironizou Perséfone.
- Eu não me enganei, você me enganou! Posso até ser uma menina, mas consigo discernir quando me engano e quando alguém me engana.
- Nossa, assim você me surpreende! Eu poderia muito bem ter continuado com meu disfarce e você gritaria daqui: Perséfone, encontrei vida!.
- Eu não estou mais interessada em provar algo para você! - resmungou a menina
- A porta está logo ali!
- Eu já disse que não quero ir! - gritou
- Vou te mostrar o outro lado do Bosque, já que deseja procurar algo.
- Todos os lugares aqui são iguais. E não quero mais cair em suas armadilhas.
- Se quiser me seguir. A escolha é toda sua.
A menina ficou inerte, pensou nas possibilidades boas que o outro lado do Bosque poderia lhe proporcionar. Ela mesma tinha um outro lado, talvez vários. Afinal, lados não são apenas duas partes e dependendo do referencial eles podem variar em quantidade e em formas. Qual seria a forma do outro lado do Bosque? E se a vida tivesse escondida lá? Lembrou-se da voz que soprou em seu ouvido aconselhando ela a procurar a criança-vida. Mas a voz não disse que a vida é uma criança. De onde a menina retirou essa nova concepção? Não poderia esperar ou deixar a deusa sumir de sua visão. Atraída pela idéia de uma grande surpresa saiu correndo atrás da deusa. Perséfone se virou e esboçou um sorriso.
- Eu sabia que não resistiria. Pegue na minha mão!
O outro lado do Bosque não era muito diferente dos outros caminhos que a menina já tinha explorado. No entanto havia um barulho de ventos ensurdecedores. Perséfone tirou dos bolsos duas flores de algodão, despedaçou-as nas mãos e deu para a menina comer.
- Eu não vou comer isso! Pensei que fosse para proteger o ouvido.
- Coma logo se não quiser ficar surda para sempre! - ordenou Perséfone
A menina obedeceu e após engolir percebeu que não havia mais barulho.
- Assim podemos conversar uma com a outra sem a interrupção dos ventos. - explicou a deusa para a menina.
Elas sentaram em uma rocha e ficaram ali prestigiando o silêncio. A menina já estava ansiosa, nada acontecia, mas por cautela decidiu não questionar a deusa. Depois de algumas horas o solo começou a tremer. A menina entrou em desespero e Perséfone segurou sua mão e disse para se acalmar pois a rocha que estavam sentadas era inatingível. De dentro do solo surgiu duas cabeças gigantescas: uma possuía pêlos por toda parte do rosto e um cabelo quilométrico, a outra não possuía pêlos e o crânio era conectado em cabos que por sua vez se interconectavam. As cabeças se abocanhavam da mesma forma que os cães fazem quando se enfrentam na disputa por comida ou por uma fêmea.
- Que diabos são esses ? - questionou a menina aterrorizada.
- Não são diabos, minha menina! - respondeu a deusa rindo
- Então o que são? Cabeças mesmo? Ah mas é claro, bem comum: duas cabeças de quatro metros se mordendo. Lá em Araxá é o que mais têm!
- A cabeluda é o que os humanos chamam de Passado e a careca o esperado Futuro.- explicou Perséfone com sua divina calma.
- O que elas querem?
- A pergunta correta é: o que você quer Lisa?
(continua)
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:: Segunda-feira, Junho 18, 2007 ::
Pitayo azulVictor Cauduro Rojas
(continuação)
A PRISIONEIRA DO BOSQUE
Parte II
Todo desejo nasce de uma necessidade, de uma privação, de um sofrimento.
Satisfazendo-o acalma-se; mas embora se satisfaça um, quantos permanecem insaciados.
(...)
Nada se toma a sério na vida humana; o pó não vale esse trabalho.
Artur Schopenhauer - Dores do Mundo
Durante dias a menina caminha pelo Bosque, seu coração já não dispara ao se deparar com o desconhecido, pois tudo ali permanece exatamente igual.
Aquele solo seco olha para ela com um olhar de velho cansado. - o olhar de quem está prestes a tirar um cochilo após o almoço. Ela olha para cima, olha para o lado, utiliza sua bússola e nada muda. Todos os caminhos permanecem idênticos. Então pensa: Não seria a hora de chamar pela Perséfone? Mas não é o momento, uma voz não identificável a coage a continuar sozinha: A vida está em algum canto brincando de esconde-esconde e você foi a escolhida para encontra-la.Mas como saber que vida é vida? Seus olhos pareciam um convidado para assistir um teatro de ilusões, as mãos só tocavam poeira e anti-matéria e os pés eram tão ativos quanto os pés de quem corre em esteiras. Pensar em desistir? Amaldiçoar sua condição de prisioneira voluntária? Sim ela já pensou, sim ela já amaldiçoou, no entanto seu vicio por vida sempre foi sua própria condição de vida. Sem o vicio ela não teria motivos para viver nem dentro e muito menos fora do Bosque.
Alguns metros da menina uma jovem esta sentada em um tronco. A menina olha, esfrega os olhos, desvia o olhar (para não cair novamente nos truques dos raios solares), volta-o novamente rumo à jovem. E pela primeira vez sente que encontrou alguém naquele desértico Bosque. Ela apressa os passos em direção da
oportunidade de provar para a Dona dos Infernus que a vida era tão simples que poderia brotar em qualquer jardim dito morto. Ao se aproximar da jovem é brutalmente
interrompida por uma multidão de seres exóticos que correm ao seu encontro: alguns bailavam, outros faziam movimentos esquisitos, embora sincronizados. A menina caí e é pisoteada por milhares e milhares daqueles seres. Não houve dor, não houve marcas e muito menos o solo ficou marcado pelos pés da multidão. Foi aí que ela percebeu que sua matéria era diferente da matéria de todos. Eles se dissolviam, eram leves e ela ali parecia dura como uma rocha.
- E aí sentiu? Foi bom? - questionou a jovem encarando a menina.
- Não, que esquisito! O que eram?
- Eram gente, pessoas, seres humanos. - respondeu a jovem.
- Mas não é possível! Eu nem senti! - protestou a menina.
- Então só pelo fato de você não ter sentindo, julga-os diferentes?
- Não é assim que diferenciamos as coisas? Comparando?
- Pois bem, minha menina. O que você vê quando me olha?
- Eu vejo alguém como eu. Estou certa?
Naquele momento o Bosque é preenchido de risadas e Perséfone se levanta do tronco velho da árvore e aponta a saída para a menina. A menina olha para ela decepcionada. Poxa era você o tempo todo.. A menina observa a saída e faz um sinal negativo para a deusa.
(continua)
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:: Terça-feira, Junho 12, 2007 ::
Bosque de Victor Cauduro Rojas
A PRISIONEIRA DO BOSQUE
Nos arredores de um bosque uma menina caminha há longos dias procurando algum vestígio de vida. Não seria sensato chama-lo assim: Bosque. Os pássaros não gorjeiam nesse lugar e não há paisagens verdes. Parece que um dia algumas formas ditas inteligentes devastaram toda beleza que fazia com que o Bosque fosse realmente um Bosque. Do alto de uma montanha Perséfone vigia os passos da menina. Ri de sua insensatez e muitas vezes ama sua inocência. Os olhos de Perséfone brilham quando lá de baixo ouve seus gritos:
- Perséfone, achei água!
- Não minha menina isso não é água! São apenas os raios do sol que refletem no solo e criam essa ilusão.
A menina cabisbaixa pensa em desistir, mas no fundo ela sente que naquele Bosque ainda resta alguma sobra de vida. Ela necessita provar para Perséfone que se o Bosque está ali é porque alguma coisa o faz sobreviver, por mais que sua paisagem aparentemente esteja adormecida. Alguém aparece ao lado de Perséfone, olha-a com desconfiança e ironicamente a questiona:
- Então milady, até quando vai aprisionar essa mortal?
- Ora, ora, se não é o Lord Monstro!
- Porque você precisa tanto dela? Porque brinca tanto com sua esperança?
- Não ouse questionar minhas atitudes! Eu já mostrei a porta de saída para ela. No entanto ela decidiu ficar. O Bosque é meu e deixo ficar quem eu desejo.
- Ela tem uma vida lá fora. Não é justo deixa-la aqui em nome de seu bel-prazer.
- Nao sei se estou enganada mas me lembro de um dia alguém me ensinar que os humanos se fortalecem através de desafios. Lembra, Lord?
- Claro, milady! Mas tem que haver conquistas nisto. Não consigo ver essa menina conquistando algo em seu Bosque.
- Ela procura vida, meu Lord! E vida ela tem de sobra...
O Monstro se afasta de Perséfone e deixa a deusa dos infernos contemplando aquilo que é seu. Bem longe dali a menina some da visão da deusa. Perséfone grita:
- Lisa, Lisa, volte aqui!
Não há respostas.
(continua)
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:: Domingo, Junho 10, 2007 ::
Dominio de Victor Cauduro Rojas
A Fortaleza
A minha natureza é dividida em partes tão pequenas que dificilmente verei uma cópia minha sendo exposta nas vitrines da sociedade.
Meu Velho, sinto que estou sendo vigiado por uma espécie nova de biólogo, que no lugar de querer estudar e conservar nossa espécie
quer contamina-la com uma doença cujo parasita não pode ser eliminado. Este estudioso da vida humana, quando quer nos decifrar,
precisa nos dividir, precisa nos ver em cinzas para provar nossa natureza carbônica.
É lamentável, meu Velho, mas estamos contaminados pela doença neocolonialista, uma doença viciosa que nos faz ingeri-la, que nos faz
respira-la e sustenta-la com nossas vidas de cidadãos dependentes.
Sinto que pago por cada litro de oxigênio consumido, sinto que até meus pensamentos foram fornecidos pelo Grande-Estado-Imperialista.
Me tornei um devedor milenar e minha dívida será paga com sangue, pois até minha alma é um produto emprestado.
Lisa Alves - Trechos do Diário Velho de um escritor Insensato
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:: Terça-feira, Junho 05, 2007 ::
ANTES DE UM SONHO
Ou o reverso coletivo
1Cigarros, cacos de vidro, jornais e revistas em quadrinhos. Uma semana e nenhuma resposta. Ele espera, olha a janela, fuma um cigarro, pensa em Beatriz que por sinal não quer mais vê-lo. A família distante, o trabalho que tenciona transforma-lo em máquina. Aluguel, contas a pagar, a fé na razão que cada dia o joga a beira de um abismo de insanidade. Sim, é um homem: Rogério, fumante, trinta e oito anos e um diploma de contador.
A cama com migalhas de pão é convidativa, ali ele deita, pega algum quadrinho ao alcançe de sua mão e tenta prender-se em roteiros modernos sobre homens criogenados em civilizações futuras. Contudo, sua mente insiste em imaginar o calor de Beatriz., a voz de Beatriz, a música que fala sobre Beatriz. Os olhos da mulher que conseguiu arrancar seu coração povoa seus sonhos. A Deusa tupi-gurarani aparece radiante em seu quarto, arranca-lhe a roupa, cospe em seu corpo e proporciona-lhe uma entrada secreta ao mundo dos sonhos. Ele dorme, sonha e não acorda há tempo de assistir a abertura do 7 de Setembro. Não que isso fosse especial para ele. Na verdade, passou a prestigiar o desfile com o intuito de estudar o comportamento daqueles que conseguiam celebrar uma data que para ele nunca existiu. A rotina era sempre a mesma: no país inteiro militares reuniam seus pelotões para desfilarem, estudantes se preparavam para levar o nome de suas escolas as ruas, políticos alugavam carros antigos para a carreata. Membros de movimentos, entidades e ONGs também se preparavam para mostrarem que a independência também cabia a eles. E ele ali deitado, iludido e dependente da mulher de olhos rasgados e predestinados ao seu amor.
(continua)
Brasil 2024 - Lisa Alves (ou quase isso)
Obs: esses trechos do meu pretenso romance provavelmente serão descartados da obra. (experiência)
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