| [::..Passado..::] |
|
| [:...Eu recomendo..::] |
| :: Diários da Ditadura |
| :: Lowcura |
| :: Germina Literatura |
| :: Manual Prático de Delinqüência Juvenil |
| :: Penso, logo digito! |
| :: Loba |
| :: Digo Tudo |
| :: Rabiscos, Palavrões E Trilha Sonora |
| :: Prodigus |
| :: Manufatura |
| :: Atlântica |
| :: Tudo que é sólido se desfaz! |
| :: Livro dos Dias |
| :: Metamorfose Pensante |
| :: Metamorfose Coletiva |
| :: Stalingrado III |
| :: Sonnen |
| :: Universo Anarquico |
| :: Outra Via |
Metamorfose de Monstros: Uma criatura foi enjaulada em uma grade de sinônimos variados. Observou aquilo que chamavam de “Seu Mundo” e desaprovou no primeiro instante. Lutou contra a grade, relutou e com tantas feridas optou pela adaptação. Era assim que todos faziam e ela como animal-imitador seguiu apenas o que já era previsível.
Metamorfose de Monstros é uma criança dando os seus primeiros passos e um velho dando seu último suspiro. O subconsciente é a peça chave desta obra e a mente um universo não explorado. Somos seres simples, entretanto, mais complexos que as estrelas. Pode ser que guardemos realmente um Monstro que está adormecido e pode ser também que já tenhamos despertado os Monstros sem ao menos percebê-los. É só julgarmos pelas catástrofes sociais que vêm surgindo desde que o ser humano passou a conquistar o mundo usando de seu vil raciocínio. Depois que adquirimos consciência que estamos em uma constante disputa pela vida e pelo poder os nossos Monstros “Eus” passaram a disseminar aos mais fracos sentidos generalizados, que tendem construir um Mundo para todos, porém, com a visão de poucos. Exemplo disso são as ideologias políticas e religiosas, os meios de comunicação de massa e todas as instituições. No entanto os Monstros que se despertam na sociedade são positivamente necessários para a evolução, até porque na natureza, como já disse Lavoisier, nada se perde tudo se transforma e o casulo é apenas uma fase.
Os conflitos que criei entre duas espécies de seres, é apenas uma pretensiosa forma que encontrei de demonstrar o ser em sua fase de casulo. Pode se encontrar uma persona totalmente desprendida da matéria e outra, pelo contrário, a própria filha do carbono. Os versos igualam os opostos e ao mesmo tempo que ostenta o ser humano também o ridiculariza igualando-o à matéria mais insignificante. As antíteses tornam a obra conflitante, realmente passa-se a crer que existem duas personalidades brigando por um espaço: uma mais humana (o termo “mais humana” significa ” com mais imperfeições”) e outra que acabou de sair do casulo e se assustou com o que viu.
Criação da Capa: Hugo Martins
Publicação: Em breve
|
:: Domingo, Dezembro 30, 2007 ::
Foto: Jean Philippe Charbonnier
Adeus, minha presença, meu olhar e minhas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal no meu rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça,
[revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada. - DRUMMOND - A rosa do povo
ÚlTIMAS PALAVRAS
Tenho que ir!
Foi bom conhecê-la!
Um dia a gente se vê.
Vou mandar um cartão postal.
Até breve!
Não esqueça que te amo, viu?
Tenho que ir, mesmo!
Chegou minha hora.
A gente combina, outro dia!
Tchau!
Não esqueça de mim!
Você será inesquecivel!
Tenho que ir, não insista!
Vamos combinar outro dia?
Adorei, mas realmente preciso ir!
Adeus!
Quem sabe no próximo ano.
Eu espero.
Não me espere!
Eu vou, mas eu volto!
Posso voltar amanhã?
Acho que está tudo acabado.
É o fim!
Tenho que ir, não adianta chorar!
ARRIVERDECI!
Lisa Alves
Registre sua metamorfose:
:: Lisa Alves lisaallves@gmail.com 12/30/2007 [+] ::
...
:: Terça-feira, Dezembro 18, 2007 ::
TRATAMENTO DO CAOS
ou como a Verdade não está nas placas
– Oi, Siervo! Pensei que não voltaria mais.
– Ah, Farola ultimamente não tenho tempo para pensar em mim.
– Então se você não tem tempo para pensar em si, anda pensando?
– Na verdade, já tem um tempo que não penso em nada. Só recebo ordens e cumpro.
– Cumpre para beneficiar quem ou o quê?
– Ah, você sabe: luxos e necessidades.
– E isso não é uma forma de pensar em si mesmo?
– Será? Eu fico confuso com tudo isso: não sei até que ponto isso me faz feliz.
Toda vez que coloco minha cabeça no travesseiro sinto o vazio me engolir no quarto.
– Suprir suas necessidades não lhe torna feliz?
– Momentaneamente.
– E os luxos?
– Ah isso é só prazer. Logo, é momentâneo.
– Então, você quer ser feliz a longo prazo?
– Que pergunta. É lógico! Quem não quer?
– Bom se você quer, nada melhor do que planejar a felicidade.
– E como diabos se faz isso?
– Primeiro, reflita seu vazio e tente identificar o que falta.
– Mas esse é o problema, eu não sei o que é. Você pode me ensinar?
– Ensinar o quê?
– A identificar o que falta, mulher!
– Como vou saber o que falta em você. Se nem você mesmo sabe?
– Boa pergunta, dona psicóloga! Não lhe ensinaram isso na faculdade de psicologia?
– Não, mesmo!
– Ótimo! Então para o quê você serve?
– Até hoje não descobri, Siervo.
– Só me faltava essa! Minha psicóloga não sabe para o que serve.
– E para o quê você serve, Siervo?
– Para cumprir ordens e depois satisfazer minhas necessidades e luxos.
– E isso é o suficiente?
– Como eu disse: falta algo.
– Você tem namorada, Siervo?
– Já tive, hoje tenho uma romance aqui, outro ali. Mas é tão momentâneo quantos os luxos e necessidades.
– Porque você não tenta prolongar seus romances?
– Eu não tenho tempo, elas não tem tempo. Na verdade ninguém tem mais tempo para o outro.
– E isso incomoda, Siervo?
– É, Farola, incomoda! É bom estar com alguém e saber que para o outro também é bom.
– Mas é difícil decifrar o outro, não é mesmo? Como saber que é bom o suficiente para o outro?
– É por isso que ultimamente meus romances são de curta duração.
– Por isso? Você deixa de viver um romance por medo de não ser bom o suficiente?
– É minha condição de servidor. Eu deveria colocar uma placa com os seguintes dizeres:
Por favor, após usar, diga se fui bom o suficiente!
– Elas são boas o suficiente para você?
– Eu não sou muito exigente. Só não consigo confiar em alguém que não confia em mim.
– Mas como você sabe que elas não confiam em você?
– Elas nunca dizem o que sou para elas.
– E você diz o que elas são para você?
– Não, isso tem que ser uma troca.
– Siervo, mas desse jeito você torna a relação amorosa uma condição mercantil: dar a medida que recebe.
– É eu sei. Gostaria que tudo fosse diferente. Mas nas relações humanas existem regras.
– Sim , claro! Mas já pensou se os seres humanos nunca ultrapassassem os limites dessas regras.
– Claro que pensei! Todos se tornariam como eu: um quarentão que só serve para cumprir ordens
e satisfazer suas necessidades e luxos. Não é isso, Dona Psicóloga?
– Mais do que isso, PACIENTE! Nem se dariam ao luxo da satisfação.
– Eu não sei mais qual rumo tomar. Quando decido seguir um caminho, sempre chega um momento
que dou de cara com uma placa gigantesca com os seguintes dizeres: Final da Estrada.
– E você já pensou na possibilidade de transgredir as regras e descobrir se o fim é realmente onde a placa indica?
– Não, pois se existe a placa é porque alguém já tentou e descobriu que o final é realmente ali.
– Você tem certeza disso?
– Certeza, certeza, não tenho! É mais uma questão de crença.
– E o vazio que você sente é uma questão de crença também?
– Não, o vazio é uma constatação.
– Constatar é a palavrinha mágica, Siervo!
– Eu sou muito limitado para isso. Como vou constatar se o final é o final mesmo?
– Transgrida, ultrapasse, ouse! Tente dizer não quando realmente quiser dizer não e quando não quiser dizer nada, fique mudo!
– Você é anarquista, Farola?
– Não, meu querido! Sou psicóloga e já fracassei no amor e na vida diversas vezes.
– Perguntei, porque essa idéia de transgressão me induz ao caos.
– Mas Siervo, você vai transgredir para constatar não para ferir o limite do outro, entendeu?
– Será que eu consigo?
– Não posso profetizar. Profecias andam de mãos dadas com as crenças.
Você só tem que trilhar o caminho de suas verdades, aquelas que só você sabe e que por conta das crenças
coloca–as em último plano ou até mesmo sem planos.
– Eu gosto do que você diz. Queria conversar mais contigo. Longe do profissional. Entende?
– E porque deveria entender, Siervo?
– Você me faz bem. Acompanha meus pensamentos e sentimentos. Me mostra a luz no final do túnel.
Nunca conheci uma mulher assim.
– Olha achamos uma serventia para mim!
– Você é perfeita e sempre diz coisas certas e úteis para minha vida. Gosto de você, porque gosto mesmo, viu?
– Mas você me paga para isso, lembra?
– Lembro. E seria capaz de pagar mais para tê–la por perto.
– Você começou a ultrapassar seus limites, Siervo.
– E os seus limites, ultrapassei ?
– Não mesmo, meu amor! Quanto seria esse “pagar mais”?
– O triplo do que pago nesse consultório mensalmente. Por uma noite, topa?
– Me pega as nove, meu bem!
Lisa Alves
Registre sua metamorfose:
:: Lisa Alves lisaallves@gmail.com 12/18/2007 [+] ::
...
:: Quarta-feira, Dezembro 12, 2007 ::
O meu lado Lux-Luxo ou
Responda as quatro questões e depois vai dormir tranqüilo(a).
Naquela calçada existe um homem caído.
Será que ele ouve os batimentos cardíacos da Terra ou simplesmente seu coração parou de bater?
Naquele lixo uma criança procura alguma coisa com a mão.
Será que ela está na busca de um objeto valioso ou algum resto de comida que você não conseguiu mais engolir?
Naquele inverno um septuagenário se protege do frio debaixo da ponte.
Será que ele gosta de ouvir os barulhos dos carros ou não tem mais nenhum familiar a quem recorrer?
Naquele país uma pessoa morre de fome de cinco em cinco segundos.
Será que é por isso que o nível de obesidade lá é baixo ou é nossa indiferença que é grande demais?
Naquele dia o mundo descobriu a facção facista do lux-luxo.
Mas era tarde demais para compartilharmos nossas “coisas”.
Ninguém queria permanecer nas trevas da igualdade.
Lisa Alves
Registre sua metamorfose:
:: Lisa Alves lisaallves@gmail.com 12/12/2007 [+] ::
...
|