:: Metamorfose de Monstros ::
Filhos do Lamentável Mundo Novo, este blog têm vida própria. Esta que vos escreve é apenas um instrumento de um Monstro tão belo quanto Apolo e tão feio quanto Pã. Este blog não têm proposta alguma, não defende nenhuma causa, seja ela política, religiosa, sexual ou filosófica. Foi feito por puro sentimento; ora de dor, ora de prazer ( mas afinal, a arte não é isso?). |
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:: Quinta-feira, Novembro 06, 2008 ::
CARTA DE UM MOCHILEIRO - PARTE VIII
Victor Cauduro
"Deus está morto" - Nietzsche (1844-1900).
Hoje observei meus traços em um pedaço de espelho. Algumas linhas apareceram, alguns traços foram modificados e meus olhos tendem ficar ano a ano mais profundos. É estranho: eu sei me reconhecer, a gravidade dos anos transportou para perto de mim uma parte desapegada, tolerante, racional e pacífica. Sou o famoso homem-médio, senhor da mediocridade, padronizado, mecanizado e industrializado. Reconheço também a inexistência das coisas: a estrada, Beatriz e Jamila desapareceram com alguns medicamentos. Hoje penso no passado como uma aventura de um livro que não terminei. Confesso, a felicidade estava relacionada com o lado fictício da minha vida. O mundo imaginário pertencia a um lado do meu cérebro que os médicos decidiram aposentar. “ Agora o paciente aceita e vê o mundo da forma como deve ser vista e acreditada.” Querendo ou não, o médico também sabe que tudo é uma questão de crença. Tudo não passa de um efeito placebo, acreditamos em alguma coisa e esta alguma coisa tem o poder de criar universos, curar doenças, fazer milagres, ressuscitar os mortos e dar vida a seres que no senso comum nunca existiram. Eu sou uma criação divina e meu mundo é minha criação. Sou o Deus de minhas coisas e a coisa de meu Deus.
Lisa Alves
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