:: Metamorfose de Monstros ::

Filhos do Lamentável Mundo Novo, este blog têm vida própria. Esta que vos escreve é apenas um instrumento de um Monstro tão belo quanto Apolo e tão feio quanto Pã. Este blog não têm proposta alguma, não defende nenhuma causa, seja ela política, religiosa, sexual ou filosófica. Foi feito por puro sentimento; ora de dor, ora de prazer ( mas afinal, a arte não é isso?).
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Lisa Alves

Brasília-DF

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:: Segunda-feira, Janeiro 12, 2009 ::

Vamos assistir um filme?



CENA ÚNICA - INTERIOR DA VIDA/DIA E NOITE


Daqueles que tocam a pele e despertam sensações agradáveis
Beberemos suco de caju e comeremos besteiras
Depois contaremos histórias semelhantes a do filme e morreremos de rir (pois falar da vida real também é sensacional)

Mais tarde nos olharemos, pois todas as palavras já foram ditas
Então você inventará uma brincadeira “inocente” de falar verdades
E contaremos mentiras e mais mentiras sobre nós mesmos (provando nossos talentos de ficção)

No final você irá embora e prometerá voltar.

Já assistiu esse filme?




Lisa Alves

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:: Segunda-feira, Janeiro 05, 2009 ::

Imagem: Analytical

CONFISSÕES DE UM INATIVO



Sabe aqueles dias que parecem amaldiçoados e não sair da cama é a melhor opção de vida?

O dia está tão amargo quanto o céu da boca e você dorme horas e horas para sonhar com a felicidade que a realidade não propõe.

Parece uma ausência de si mesmo ou uma folga do mundo e seus afazeres metódicos e rotineiros.

A entrega total ao ócio, a entrega total ao Nada.

É, eu preciso não envergonhar-me desses dias, preciso assumir minha ociosidade ao mundo. “Sinto muito, mas a arte exige uma ociosidade disciplinar.” -
Pergunte aos gregos como eles conseguiram pensar tanto.

Odeio o barulho do tic-tac e da sirene da usina.
Odeio o tom do martelo e a musicalidade da lixa.
Odeio o barulho da máquina moedora de carne e do choro amedrontador vindo dos matadouros.

Tenho um pavor exagerado da carga horária, da ferramenta, do cartão de ponto.

Também apavoram-me as receitas médicas e suas drogas legalizadas. Aprecio os anestésicos vindos da lama, da mão suja, daqueles que lavam o carro e a alma dos passageiros.

Deito-me em lençóis artesanais e imagino a mão que teceu o meu conforto. Seriam mãos de arte ou de linhas de produção?

Não sei, só sei que meu céu de telha hoje é feito de latão.
Estou à margem. Estarei mesmo à margem ou a margem é ilusão?

Lisa Alves


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